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sábado, 9 de agosto de 2008

CARTA DA LUA (para minha prima Gisela)



Por que estou parada aqui? Já era para eu ter ido embora. Será que preciso que me olhes mais uma vez. Sei, eu gosto do jeito que me olhas e me visita de madrugada. Te vejo como um ser humano na ansiedade de conseguir o que se quer.
Ei Gi... Eu estou aqui, esperando por seus olhos vidrados. Ora cheia... Cheia de problemas, ora vazia... Vazia de lamentações, ora crescendo... Crescendo para os ensaios da vida, ora minguando... Minguando diante da enorme pequenez do mundo.
Sou como uma gota na imensidão. Sou o vestígio do que fui pelas madrugadas aparecendo numa manhã quase nublada. E, o que fui pelas madrugadas? Eu fui a Rainha da Noite entre tantas estrelas, fui o seu motivo para chegar até a janela e me ver. Por quantas e quantas vezes tenho banhado as suas lágrimas. Ah! Se soubesses o quanto eu a conheço talvez perdesse o encanto que tens por mim, porque na verdade não sou nada demais, se pensares bem sou apenas uma lua que cintila.
Será que gostas de mim por minha determinação, pois venço os prédios e, quando desejo, escondo-me através das nuvens "tapando a cara" de vergonha diante da frieza dos seres humanos. Passo por tubulações, mas não desisto. Continuo aqui, vendo mais de mil gerações crescerem e desaparecerem tão inexplicavelmente quanto surgiram.
Numa conversa com as estrelas descobri que foi Deus quem me fez e, que esse mesmo Deus fez você, então está explicado o porquê de nossa sintonia. Mas, ao mesmo tempo em que descobri essa coisa linda, também ouvi algo lamentável de uma estrela bem antiga. Ela soube que ensinam nas escolas que eu não possuo vida, e que sou desprovida de qualquer coisa que possa valer a pena (deixa para lá, quem sou eu para discutir as idéias dos homens), o que sei é que as crateras que possuo em mim são justificadas pela eterna falta que minhas filhas me fazem.
Seria gratificante que dissesse sempre para as pessoas o quanto gosta de mim, sei que elas me enxergam com outros olhos. Já notei que me esperam e, muitas vezes, choram quando não conseguem me ver. Queria ajudá-las, mas não posso, o máximo que posso fazer é demonstrar através de minhas fases que as coisas podem mudar. Acho até que elas me entendem, mas sentem-se perdidas com minha amarga ausência.
Já te vi muitas vezes chorando pela falta que eu lhe causo, por quanto tempo deve ter xingado aos céus por tamanha tristeza e indignação. Nessas horas, eu morria por dentro e por fora. Sei que não sou a causadora de sua dor, mas sou culpada porque agora não tenho mãos para secar suas lágrimas, nem o abraço para te acalentar.
E é por isso que sempre apareço cada vez mais bela, descobri que isso te comove. E, como é lindo o seu sorriso e a sombra de sua saudade refletida no chão. Queria muito ter pernas, não só para seguir seus passos, mas sim para voltar a caminhar ao seu lado.
Sou a sua lua, sua marca registrada, a mesma lua que enlouquece os amantes num espaço próximo ou distante. Sou o enigma das coisas que diz e não termina de dizer e isso me deixa submersa tentando entender suas mensagens, assim como os amantes tentam decifrar minhas figuras.
Sou a sua lua de sorte, sua visita mais desejada. Sou a testemunha do maior espetáculo da natureza: seus olhos claros, esperançosos e aflitos me esperando!
Então, depois de milhões de anos de espera e de admiração em todas as suas reencarnações, acabei conhecendo uma estrela cadente bem doidinha que não parava de piscar. A tal da estrelinha disse que me ajudaria no que fosse necessário e me deu até a idéia de escrever-te, veja só! Ela foi para o seu planeta para aprender a escrever, a ler e a sentir amor, passou uns dias escondida vendo como você era dentro de casa, no trabalho, com os amigos, com o seu marido e familiares. Enfim, essas coisinhas que infelizmente, não consigo mais ver. Aí, a estrelinha voltou cheia de história para contar. Por isso, estou enviando a minha cartinha pelas mãos dela. E Gisela, receba essa carta com todo o carinho e me encontre onde estou feliz, me procure no céu!

domingo, 20 de julho de 2008

Divagações Sobre a Necessidade de Parar de Beber...

Querido Diário Colorido... Me deixe Escrever Qualquer Coisa que Saia com Rima!?!

Anoitece. A lua me espera e eu me apresso. Retoco-me em frente ao espelho... Tudo no lugar: na boca, batom vermelho; na cabeça, o sonho de uma noite sem pesadelos. Buzinas me chamam. Abandono o meu quarto e o silêncio. Preciso da noite e do que ela me traz: ilusões com os goles a mais. Hoje eu quero jogar conversa fora e botar bebida pra dentro, mesmo sabendo que daqui a pouco nem eu mesma me agüento. E eu vou sair, vou dançar, com ou sem par.
Música alta, cantadas. A noite se resume em queixumes, sempre nas mesmas conversas fiadas. Um gole, um trago; dois goles, três tragos. Mais uma música, mais uma cantada. Solidão! Nem consigo contemplar a noite enluarada? O copo esvaziou e não bebo espuma. Por favor, ô garçom, me traga mais uma! Acabou o cigarro, mas carrego no pulmão um estoque de tosse com catarro.
Números de telefone em guardanapo são ofertados. De quem é o número? Ah!, deve ser de alguém que beijei lá do outro lado. E, por favor, não me façam perguntas enquanto eu estiver nesse estado. Muito menos me falem em beijos, pois perdi meu namorado. Falsos elogios não são dispensados.
Eu troco de bebida e peço algo mais forte, e enquanto engulo o Dreher adianto a minha morte. Caí do salto, voltei com a sandália na mão. Só não dormi no asfalto porque um anjo da guarda me pegou pela mão. Quem era o anjo? Um Policial Rodoviário me dando carona no camburão.