sábado, 25 de setembro de 2010

Deus Não é Surdo

O circo está armado. Os leões vigiam a caixinha de dinheiro no altar. Na platéia, o povo da fé inabalável solta urros indecifráveis. E em Mimoso do Sul mais um bairro sofre com a síndrome do “Xô, Satanás!”.

O que entendo de religião é o mesmo que sei de números binários: nada! Sobre o assunto, li uns três ou quatro livros, mas cada um puxando o terço, o santo e a bíblia pro seu lado.

E sem puxar farinha para lado algum, só procuro entender porque preciso puxar o fone de ouvido durante as reuniões de certas igrejas Pentecostais. Como é estressante conviver, todos os dias, com escândalos noturnos, ininterruptamente, das 19h00 às 21h30.

Mas se de religião entendo pouco, de Direitos Humanos entendo bem, e afirmo que todo indivíduo tem direito à tranquilidade, principalmente no lar, o que não acontece dentro das residências de alguns bairros de Mimoso, que convivem com os berros dos fiéis.

Geralmente, a rotina lá em casa é algo normal: meu pai faz do controle remoto, a distração; minha mãe, de suas agulhas de tricô, o divertimento artesanal; meu irmão, da caneta e caderno, o sossego; e eu, do notebook, o meu emprego.

E tudo funciona assim, até que chega o momento em que começam os berros e... Papai utiliza o controle remoto para abaixar o tom da voz dos “irmãos”; minha mãe pensa em furar os tímpanos com a agulha de tricô; Henrique escreve cartazes com os dizeres “Deus não é surdo!” e eu bem queria que a tecla do computador interrompesse a gritaria descomunal do pastor.

Assim, nos resguardamos apreensivos... Seria tolice confessar uma curiosidade? Para onde vai o “bicho ruim” que eles mandam sumir? Espero que o “monstrengo” não queira passear nos jardins “silenciosos” de minha casa...

Na apreensão, também viramos personagens desse teatro onde ler um livro ou assistir TV é algo fora de cogitação.

E a história sem solução vai se arrastando do jeito que a demora convém, Deus não é surdo! Deus ouve muito bem! E em silêncio eu respondo: AMÉM!

sábado, 18 de setembro de 2010

Tô Vendendo o Meu Voto

Tô vendendo o meu voto

Quem quer comprar?

Tô fora desse papo escroto

De que o Brasil vai melhorar


Onde tá a fatia do bolo

Que eu quero experimentar?

Não sou mais aquele tolo

Que vivia a acreditar


O papo eleitoreiro

É que nem pescaria

O político “fisga” o “companheiro”

E dá umas minhocas como garantia


Já ganhei gasolina

Notas de cinqüenta e de cem

Já plotei carro e o enchi de menina

E nesses dias eu não sou um “Zé Ninguém”


Eleição tem mesmo dessas glórias

Políticos chorando contam suas histórias

Mas o povo, ta é mesmo calejado

E fala mentalmente: tudo um bando de safado!


E na hora “H” nem sei em quem votar

É tanto número para memorizar

Vou pra minha urna bem devargazinho

Quem sabe um político molhe a minha mão mais um pouquinho!?


Ah! Sim, senhor! Quem te disse que sou honesto?

Assim como a maioria dos políticos

EU TAMBÉM NÃO PRESTO


Eu levo santinho, levo colinha na mão

Viro delegado de partido

Brigo na rua, caio no chão


Que feio! O coitado apanhou do outro lado

Eu tava no meio

Dei de cara com a polícia e fui algemado


Fui solto na mesma hora

Dei um jeito de escapar

A verdade é que até agora

Não consegui votar


Pra presidente do Brasil, o trem da complicado

Tem uma moça do partido verde que não dá resultado

Tem um cara do nome esquisito e que rima com mel

Um tal de Ey Ey Ey Ey Ey Ey Ey Mael


Tem um menos pior, cara dos Simpsons e carequinha

Uma mistura de Drauzio Varella com fantasminha

Nesse até que levo fé

Pelo menos ele não tem quadrilha

E tem mais experiência que aquela mulher


E a tal da Dilma, mas que coisa louca

Envolvida em quadrilha, a maior cara de doida

Não acredito que o povo vai cair nessa mais uma vez

È a clone do Lula tirando sarro com a cara de vocês!


E vamos aos nossos capixabas

Políticos do Espírito Santo

Que não são bobos, muito menos santos


Pra federal tem um que morreu e esqueceu de enterrar

Tem aquele que vem de helicóptero pra se exibir

Tem um que canta de galo e vive a ciscar


Pra deputado estadual é uma confusão

Cada hora que olho pra baixo tem santinho no chão

Vem de fora, vem de baixo, vem do alto, vem de dentro

Eu já não agüento um monte de carro barulhento


Luzia diz que é da terra, daqui, de cá, de todo lugar

E quando sobe no palanque o povo começa a vaiar

Afinal, o que foi mesmo que ela trouxe pra cá?


Ferraço levou fumo em Cachoeiro

Mas já conseguiu muita coisa pra Mimoso

E é amigo do nosso vice prefeito

E tem um jeitão todo carinhoso


Elcinho é daqui, é da “aldeia”, é da hora

E pede que não valorizemos o que vem de fora

E aí?! Eu sou da terra, vai me valorizar agora

Ou chamar um profissional de fora?


Já decidi e comigo ninguém brinca

Enquanto um monte de político cisca

O meu voto vai pro Tiririca


De palhaço por palhaço

Prefiro um profissional

E não esses engravatados

Que de quatro em quatro anos

Fazem de nossa vida um embornal


É Tiririca pra deputado federal !!!

sábado, 20 de março de 2010

Recados da Liberdade

Ah, não seja portão para ficar acorrentado e nem pássaro de gaiola. Saiba que ser “bicho solto” tem mais valia do que ficar parado. Balance com aquela velha rede que joga a tristeza para o alto. SOLTE.

Ora bolas! Não se tranque, não se acorrente, machuque de vez em quando a garganta bebendo água gelada, dê um susto na língua engolindo café quente. PROVE.

Tome chuva na rua ou na calçada (a receita é voltar para casa ensopado). Tente andar rápido, mesmo se estiver com a perna dormente e vá até onde a dor não te atormente. Não se deixe tratar como um animal, pois é criatura humana na qualidade de gente. DESAMARRE.

Que tal ser nuvem solta que muda de forma? Ou pássaro na árvore e no fio cantarolando? E mesmo que seja frio, inverno e arrepio, se permita tomar banho de mar ou de rio. MERGULHE.

Nada de ficar trancado em porta retrato porque sorriso forçado não cai bem! Nem ande menos que o próprio sapato, porque a vida lhe oferece a dança e o descompasso. OUSE.

Não se mantenha acorrentado, pois cadeado é palavra que nem existe. ESQUEÇA.

Aprecie a leveza do ouvir e dizer o “sim” mais do que o “não”... “Não” é palavra truncada, é cérebro em negação. O “sim” é o sorriso que vem naturalmente à boca, mesmo que sem juízo. ARRISQUE.

Ah, e não pense em grades, pois elas são apenas sonhos desfeitos. Prefira a janela escancarada para olhar o céu de manhã e madrugada. PULE.

Nada de quadrados, de resolver os problemas dentro de quarto. De lágrimas e pesadelos, os travesseiros estão cheios. SONHE.

Dentro do armário, guarde apenas as suas roupas. Na mente, amizades coloridas e frases soltas. E nada de fazer cara feia para quem te mostra cara bonita, isso não cai bem “na fita”. SIMPLESMENTE NÃO RESISTA.

Quanto à fechadura, utilize apenas a do seu coração, para guardar à sete chaves um antigo amor ou nova paixão. Isso significa maturidade e respeito e não cadeado, corrente, cadeia, prisão... RESPEITE.

Ame de um jeito simples e verdadeiro e não se importe se é coisa de momento ou sentimento passageiro. AME.

Se apresse em “somar pontos” ao dizer o que sente e aí encontrará a liberdade frente à frente. COMPARTILHE.

E reconheça que num mundo de complicação, vale acreditar e amar de verdade apesar de tanta ilusão.

Já dizia certo filósofo: a mente que se abre para uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original. Será? Acredito que sim, quando uma idéia é nova e ORIGINAL dificilmente ela ficará estagnada. Mas, meus caros leitores, quando essa idéia é copiada, nunca a qualidade da cópia é a mesma ou melhor do que a anterior. O nome mesmo já diz “cópia”, que segundo o dicionário de minhas letras conturbadas significada: retirar do que já existe algo que nunca será igual... Peço desculpas ao dicionário Aurélio, pois estou com preguiça de folhear suas páginas pálidas e prefiro não “copiar” o que significa a palavra “cópia.

Exemplos de cópias temos aos montes, mas para resumir vamos as mais conhecidas e globalizadas: O SBT é a copia insistente de todas as idéias da Globo e o resultado disto são as novelas no pior estilo dramalhão que vem do México; as reportagens só trazem o drama como tema e não o enfoque jornalístico em si e os programas e mais programas nem sempre emplacam... Na área gastronômica, temos as “quase” coca-colas de gosto caramelado e açucarado... Na música, milhares de Britney’s Spear’s e Lady’s Gaga’s tentam copiar inutilmente a Rainha do Pop “Madonna”. Na internet, temos o “vilão herói GOOGLE”... Quem nunca copiou mil coisinhas dele daqui e dali para fazer um trabalho de escola ou para bater um papo com a namorada culta? Na área da “compra e venda”, a China reproduz tudo o que o mundo cria e assim nos deparamos com a enchovalhada de mercadorias que nos dão nos nervos: Made in China, alguém já ouviu falar?


E numa bela cidade do interior, conhecida nacionalmente pela tradição da Folia de Reis e seus casarios no melhor estilo neo clássico, de povo hospitaleiro, com forte traço da imigração italiana que teve na Estação Ferroviária a célula mater de seu desenvolvimento surge uma REVISTA de excelente qualidade gráfica e editorial. Refiro-me à REVISTA MUQUI, criada pelo “GRUPO M” que prima por matérias de bom gosto e na valorização dos pequenos e grandes comércios, das atrações turísticas e personalidades que compõem todo o charme de uma cidade que com muito orgulho é vizinha de minha mimosa “Mimoso do Sul”. Escrevo sobre Muqui.

E em Muqui outra revista aparece em cena, também apostando na formatação bonita e pequena... É uma pena e não acho legal copiar a REVISTA MUQUI, onde posso “soltar o verbo” num meio de comunicação ORIGINAL.
E as cópias continuam por aí... Falsos Messias copiam Jesus, lanternas ligadas fingem que é luz e o “ouro de tolo” imita o ouro mas nem sempre reluz...

Ah! Essas Mulheres


Pensei em escrever com leveza e simplicidade sobre as mulheres. Queria muito mesmo que fosse um texto que fluísse de uma forma bem leve, atrativo, enfim feminino...

Uma crônica que fosse comparada com o vôo de um pássaro e gastronomicamente com o degustar de uma gelatina: que descesse leve por nossa goela abaixo.


Mulheres... As mais conhecidas são ao extremo. Ora transloucadas, ora fantásticas: Maria, mãe de Jesus, abnegada; Madonna, Rainha do Pop, mulher do outro Jesus, 69 anos de cantora louca e inteiraça; Madre Tereza de Calcutá, quem nunca ouviu falar?


E as “mulheres mães” comuns e fabulosas, que com a mão na massa nunca deixam o leite entornar, que temperam maravilhosamente bem e esperam os filhos agarradas ao relógio.

Particularmente, as mulheres ao volante são as melhores, as mais hilárias, com exceção, é claro!Querem disputar o espaço com os homens, se dizem cautelosas, mas são medrosas... Estressam-se, fingem ter calma e soltam frases do tipo: “eu nunca bati”! “sou cuidadosa”! “tá com pressa, sai voando”!. O utensílio principal do automóvel, para essas mulheres, é o espelhinho do carro onde passam horas e horas retocando batom, espremendo espinha, tirando pêlos da sombracelha, etc e tal. A alegria maior é quando o sinal está fechado e o trânsito parado. É um tal de pegar celular e ligar para a amiga, olhar as vitrines e colocar música romântica que só vendo!

Entender a alma feminina não é fácil, assim como não é fácil ser mulher... Tal qual a lua, somos cheias de fases, entraves e empasses. Por quantas vezes, quando comemos muito, nos sentimos “redondas” e quando estamos com dor de cotovelo, ficamos “minguantes”. Uma hora, sorriso escancarado, noutra, olhar emburrado. Nem sempre somos as donas do controle remoto e numa roda de homens quase nunca temos razão. Acredito que perdemos à razão quando soltamos nosso gritos estridentes, mas isso é um caso de fonoaudiologia, pois coisa que irrita é grito de mulher, principalmente daqueles desesperados: “ai, olha uma baraaaaaata”!

Mulher não pode entender de futebol, senão é “mulher macho”; não pode entrar na política senão é “pra frente”; não pode tomar a iniciativa no namoro, senão é “safada”; não pode dirigir que é taxada de barbeira; não pode se emperequetar muito, senão é perua; não pode ficar desarrumada, senão é lambona; não pode admirar outra mulher, senão é invejosa... Difícil assim!

Mas a graça ou desgraça de ser mulher é essa mesma: aceitar quem somos, como somos, independente do rosto estar coberto de espinhas ou panqueique para disfarçar. Independente de ser difícil chorar com rímel nos olhos... Ser mulher é se preocupar se absorvente está aparecendo, se a calcinha está marcando ou torta... É corar o rosto quando um caminhão de jogadores está passando e todos gritam simultaneamente: “gostooooooooosa"! Ser mulher é chorar em filmes água com açúcar, é ler receitas de dietas e mesmo errada, teimar que está certa. Ser mulher é escrever sobre coisas de mulheres com o tempo esgotado. Ops,! por falar nisso são 09h00 da manhã tenho horário marcado no Salão Ellegance da Odette, vou me despedir de vocês, leiotres, pois tvou experimentar um novo tipo de escova: creme de chantilly com extrato de sorvete caramelado.

Blá, Blá, Blá de Fim de Ano


Natal: época de paz, harmonia, de contato com a família e reaproximação, mas nem sempre isso acontece, geralmente é consumismo, mesa farta, uns “arrancas rabos” e porres de vinho...

Na televisão, o caro peru comemorativo com o selo “abençoado” da Perdigão. No sofá de casa, alguns falsos caridosos comentam sobre os meninos deitados nas ruas encima de papelão: “Isso é um absurdo! Tanta gente passando fome e a televisão mostrando essa fartura!”.

O comércio sempre fecha tarde e grande parte dos funcionários das lojas sequer experimenta a ceia de Natal, pois chegam aos lares enfastiados de tanto embrulhar presentes que sequer têm forças para desembrulhar os presentes que recebeu. Eles tomam um banho e “puxam um fio” com o DDD: Descansam, Deitam e Dormem. O dingobell’s? Ah! Fica para o próximo ano!

A coisa óbvia das comemorações de fim de ano é que a rolha de champagne certamente vai cair na cabeça de alguém ou estraçalhar um copinho de enfeite (daquele que é objeto de ciúme da mãe ou da avó e só sai do armário de ano em ano). Muitos vão engolir bebida cara, sentir um gosto horrível, mas fazer cara bonita; tantos vão tomar vinho barato e ser feliz a noite toda; uma boa parte vai chorar e sentir a falta de alguém; o neto mais velho vai dedurar que o Papai Noel com o bigode caído é aquele tio chato e gordo do dia a dia; tem gente que vai quebrar nozes atrás da porta e levar esporro da tia (alô, tia Leila).

E as superstições do Ano Novo? Meu Deus! É tanta crendice maluca que nem sei mais em quê ou em quem acreditar... Roupa preta dá azar; usar calcinha vermelha é bom para atrair (ou quem sabe trair) o namorado; sete pulinhos na água garantem uma vida equilibrada (mas, por favor, não pule se estiver bêbado porque o desequilíbrio é certo). E os presentes para Iemanjá? (eu não sabia que a “Rainha do Mar” usava pulseira de ouro). E a tal história de que comer galinha em dia de Ano Novo faz com que o sujeito ande para trás financeiramente falando, pois é, disseram que só podemos comer bicho que anda pra frente e não bicho que “cisca” pra trás. Ai, Jesus!

E na fartura toda, não pode faltar a lentilha: sinônimo de prosperidade! Tadinha dela, sempre tão procurada no fim de ano e esquecida nas outras ocasiões. E a rabanada? É recorde de obesidade. Ninguém come apenas uma e por mais que esteja bem feita, alguém sempre vai reclamar que está encharcada de gordura e entupindo as veias da família e do coração.

E por aí vai... A janta do Natal vai se transformar no almoço do outro dia. O “rei” Roberto Carlos com o mesmo cabelo esticado e trejeito de “quero ser malandro, mas não sou” vai estar na Globo e vamos confessar: sem tantas “EMOÇÔES”. A XUXA também. O “ESPECIAL” do melhores cantores (lixo comercial) vai pintar na tela com o pior do Playback. O Faustão com a gravatinha borboleta à la garçom vai anunciar que logo logo meia noite vai chegar ... E a sétima arte com os filmes “Esqueceram de Mim” 1, 2, 3 em clima de inverno sendo passado pela milésima vez em nosso país (orgulhosamente país tropical).

Agora, meu caro leitor, se neste fim de ano, você quiser ganhar uma grana extra, vá, desde já, se especializando em astrologia e numerologia, porque o que esse povo tá ganhando em dinheiro para “acertar” a sorte dos outros não é brinquedo... Em todos os canais de TV e revistas do mundo só se fala disso: galho de arruda atrás da porta é bom pra blá, blá, blá; moeda de um centavo na carteira traz blá, blá, blá; mastigar romã pode blá, blá, blá; olhar para o espelho e dizer que é uma pessoa nova vai te fazer blá, blá, blá...

É meu caro, lá vai um conselho de besta: cai nessa não! Trabalhar e lutar para que as coisas dêem certo em sua vida é coisa que tem mais valia que perder tempo com futilidades. Opa! E por falar em futilidade, tá na hora de ir embora, já é quase meia noite, os fogos de artifício estão explodindo e dizem “que dá azar” passar o Ano Novo digitando (ainda mais de roupa preta, de blusa do lado avesso e com o quarto desarrumado). Vou é pra beiradinha da praia, quem sabe eu dê a sorte de “catar” uma pulseira de ouro da Iemanjá...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

POR ONDE ANDA BELCHIOR?


“Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho, deixem que eu decida a minha vida.”


Por onde anda o grande ícone da MPB Belchior? Teria se entregado ao ostracismo? Está preso em casa com medo de avião? Alguma alucinação? Largou mesmo o microfone, o violão e subiu na garupa da solidão ao se refugiar num canto qualquer da vida? Ou virou El Condor a voar pelos andes?

A voz da América quer respostas de um cidadão comum, rapaz latino americano que desapareceu sem deixar pistas, pois apenas vozes no velho rádio à pilha ou aparelhos de som evoluídos trazem de volta um pouco da importância de Belchior na música popular brasileira.

Será mesmo que o Cordial Brasileiro não está interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, além do algo mais?

Na fotografia 3X4 em matérias de jornais e revistas, tudo são teorias girando ao redor do cantor bigodudo que no palco ou fora do foco será sempre o cidadão comum vivendo a divina comédia humana onde nada é eterno.


“Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer “não” eu canto.”

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Despedida (in memoriam a Tia Bebel)

Quando a transitoriedade da vida nos pega de surpresa, nada mais nos resta do que tentar entender. Quando não entendemos, ou quando o sentimento de saudade teima em aparecer, qualquer lembrança é uma dor a mais. Minha forma de sentir falta é externada pelas letras dessa poesia que jamais pensei em escrever um dia...

Tia Bebel se arrumava,
dava um retoque em seu rosto de boneca,
mirava-se no espelho, penteava o cabelo.
Será que ia à festa?

Uma vida em cinqüenta anos,
sempre sorrisos e muitos planos.

A tatuagem de escorpião na canela
ficou apenas no sonho.
Contemplava o morro Itabira da janela
cantarolando o Rei Roberto: “eu te proponho”.

Sorriso aberto, dentes brancos e escancarados,
mas se o mal humor chegasse, logo eles seriam fechados.

Voz alta, presença alegre e constante.
Se era caprichosa? Perguntem a sua estante.

Sabonetes glicerinados produzidos por suas mãos.
Pintar quadros era mais uma de sua distração.

Reunia a família, agregava sentimentos.
Sentia saudades das filhas que moram tão longe.
Que lamento!

Poetisa num simples diário,
amante do Recanto das Letras.
O que seria de mim se ela não existisse?
Eu mesma respondo: apenas um livro sem letra!

A casa imensa,
o coração maior ainda,
na frente do papel ela pensa
e a noite estrelada se finda.

Amanhã ela vai partir
e lágrimas vai deixar.
Amanhã, nosso mundo vai cair,
mas o céu vai comemorar.

Hoje, ela sobre, com preguiça, a escada da casa,
amanhã, subirá aos céus, na companhia de uma asa.

À noite, pega o terço e reza...
Por que ir embora tão depressa?
Ela acorda e segue viagem...
Vai não, tia! Pare de bobagem...

Fica mais um pouco!
Vamos para a casa da vovó?
Não. Eu prometi me encontrar com a lua,
Não posso deixá-la tão só!


Oh! Tia Bebel, mas como é teimosa!
Que dia faremos a nossa poesia e prosa?
E a crônica? Quando vai pintar os quadros das meninas?
E o fogão à lenha na roça? O quentão para a Festa Junina?

Renata, garota ansiosa! Tira essa revolta do coração,
cadê sua crença espiritual de que nos veremos noutra dimensão?

Ah! Vê se não me desaponte mais,
trabalhe bastante e não chore mais.
Onde já se viu uma italiana
entregar os pontos e pensar para trás?

Leia meus versos, sinta meu cheiro,
saiba que sinto falta da família,
dos amigos, do macarrão do papai e da mamãe...
Hum! O amor é o verdadeiro tempero.

Agora tenho mesmo que ir, prometi não demorar,
pois lá encima uma linda harpa espera:
a minha voz, o meu sorriso, o meu cantar!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Silêncio em Noite de Chuva


Conhecer o gosto e o som do silêncio que conforta e nos permite ouvir a respiração de quem amamos ao lado é quase um dom, uma dádiva. Saber apreciar e ouvir o silêncio quebrado pelas gotas de chuva no telhado em dias e noites de frio, é no mínimo, um encontro com a paz, que nem seria guerra se fosse quebrada por corações descompassados.

O cenário: meu irmão dormindo ao lado. Na madrugada fria, ele corta o silêncio resmungando que teve pesadelo. “Atrapalho” o seu medo sussurando palavras de calma e carinho: - fique calmo, estou aqui! Ele adormece e ouço o barulho de minhas mãos fazendo carinho em seu cabelo. Dessa noite de silêncio, jamais esquecerei.

Silêncio não é quando evitamos o que queremos dizer, quando deixamos para depois as coisas que sentimos, quando “ficamos de mal”. Silêncio pode ser até barulho, desde que traga paz. É respeito, é entender a dor do outro.


Silêncio é o cérebro em turbilhão fazendo planos, resgatando lembranças enquanto o rosto permanece meio sonso e imóvel, apesar da boca soltar palavra sequer.

sábado, 18 de abril de 2009

O Perfil dos Vitoriosos (cultura banalizante)


Na certeza de que o domingo seria improdutivo, aderi ao “ficar de pernas pro ar”, assistindo no conforto do sofá, o Programa “Melhores do Ano”, do Domingão do Faustão, exibido no dia 12 de abril de 2009. E no Hortifruti dos artistas, muitas frutas foram trituradas injustamente...

De um lado, as compositoras-cantoras Ana Carolina e Vanessa da Matta carregando na mala a experiência do poetizar e originalidade. Do outro lado, Ivete Sangalo chamando Dalila e levando o público ao delírio.

Na santa guerra musical ganhou, pelo menos em programa popular, a “incultura brasileira”. Sim, qualquer manifestação artística é considerada cultura, por isso suavizo e afirmo que venceu a cultura banalizante dos trios elétricos. E Ivete é mesmo boa em muita coisa: pernas, voz grave, caras, bocas e sorrisos insinuantes. Carisma não lhe falta, audiência na Rede Globo, muito menos. “E quem não quer ter uma música de sucesso na novela das oito?”

Os “feras” da dramaturgia brasileira também se saíram bem, mas por não assistir novela, nem posso meter minha colherzinha no assunto.

Graças ao meu pai, no quesito música, eu tenho uma leve noção para diferenciar o péssimo e o excelente... The Beatles, Pink Floyd, Caetano Veloso, Tim Maia, Queen, Milton Nascimento, músicas clássicas, Tom Jobim, Elis Regina, Belchior, Cazuza, entre outros, apuraram meus ouvidos dentro ainda da barriga de minha mãe e me permitiram conhecer novos talentos numa fase mais madura. Por isso, minha idéia de talento vai além dos sucessos momentâneos, de duplas que entram e saem no cenário musical sem trazer algo de qualidade. Uma boa música deve ser - no mínimo - eterna.

No Programa, de consideráveis resultados musicais, apenas D’Back e Seu Jorge tiveram uma vitória merecida. O estilo diferenciado, as músicas de cunhos sociais e pouco apelativas conquistaram uma boa parte do público, porém, o que rolou por lá nem foi reconhecimento popular, foi falta de opção.

E com defeito de fábrica, mas aprovado pelo gosto da massa, os bonequinhos pré-moldados Victor e Léo desbancaram Vanessa da Matta, no tema Música de Novela. A compositora da MPB “perdeu a vez” tanto para o Axé (quando concorreu com Ivete); quanto pelo Breganejo (ou forró universitário, ou mela cueca, a definição é alguma coisa do tipo).

Mas entre as duplinhas, os músculos da Ivete e mau gosto popular, o maior disparate ficou por conta do quesito Atriz Revelação. A gaúcha Larissa Maciel, que interpretou brilhantemente bem a cantora Maysa, no seriado “Maysa, Quando Fala o Coração”, foi desbancada pela mineira Mariana Rios, da Malhação. Quem assistiu Larissa Maciel no seriado, sabe bem do que estou falando. Aliás, nem é necessário entender patacas alguma para perceber a grande banalização popular.

Depois de tudo isso, só espero que meu domingo termine bem, e principalmente, sem Big Brother Brasil!



















sexta-feira, 10 de abril de 2009

O Pior Castigo (um breve relato para não dizer que não falei do Rider)

Bastava ele aprontar e todos já sabiam: algum castigo iria receber! As opções de sofrimento eram quatro: o belisco fininho da mãe; o chinelada Rider do pai; esconder-se embaixo da cama (correndo o risco de apanhar em dobro) ou fugir. Definitivamente, deixar de aprontar não pertencia ao mundo maluco do moleque com a cabeça nas nuvens.
E encurralado, fazendo cara de anjo, ele acabava por escolher a mais materna e “acolhedora” das opções: belisco fininho da mamãe. E tudo era quase um ritual. A mãe mordia a boca de nervoso, prendia os pés do guri entre seus pés e tome beliscos. Voltando no tempo e tirando o ritmo do texto, lembro que certa vez o acompanhei para tomar vacina e a enfermeira disse para acalmá-lo: dói nada não, é igual um belisquinho. Pronto, bastaram apenas essas palavras para que carregasse pela vida inteira verdadeiro pavor de injeção.
As chineladas do pai? Foi somente uma vez que presenciei tal cena. Antes, porém, que eu tivesse pena, o garoto confessou, entre dentes, que apanhou pouco pelo tanto que fez. Sim, apanhou pouco, mas o suficiente para lembrar, com detalhes, da palmada oca do Rider “novinho em folha”. E nem havia preparação ou ritual: o pai varejava o “instrumento de tortura” de onde estivesse. De perto, doía, de longe, ardia...
Hoje o garoto cresceu e seus medos são outros, pois assim como as pessoas, as coisas também mudam. O pai não usa mais Rider; a mãe, por conta da tendinite, nem tem habilidade, seja para fazer crochê ou beliscar... A cama ficou pequena e não cabe um grandalhão embaixo dela e fugir já não faz sentido, ele é bicho solto querendo retornar ao ninho.

Hoje o pior castigo é o silêncio.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Fragmentos

Ele acorda de um sono tranqüilo, a cabeça não pesa, pois não é homem de ambições ou prisões capitalistas.
Levanta e se admira com o cantar do pássaro. Será que o comedor de alpiste de sua residência sabe entoar a paródia Meu Pequeno Cachoeiro?. Pelo intenso calor daquele dia, ouso dizer que sim.
O pássaro canta e Seu Nelson faz trova. Lucila, sua companheira de tantos anos, sorri e no amor se renova.
Ele faz uma pilhéria, um gracejo qualquer... E guarda suas trovas românticas onde ela possa se surpreender: embaixo do prato, dentro do sapato, no meio das rosas. Nelson Sylvan: perfeito amante em versos e prosas!
À noite, ele sonha com o monólito Itabira e com o Frade e a Freira.
De dia, admira as crianças com suas mochilas pesadas e as gritarias tão corriqueiras.
O Decano dos Trovadores se orgulha de nunca ter sentido dores e responde ironicamente a Cláudia Sabadini: “a hospital eu nunca foi, nem nunca senti nada”. E pensa: aposto que você, menina tão nova, já deve ter ficado algumas vezes hospitalizada.
Seu Nelson, exemplo de reserva moral e cultural de Cachoeiro de Itapemirim conversas “horas a fio”, pelo fio do telefone com o amigo Athayr Cagnin.
“Nelson Sylvan, Sempre e Sempre”, já dizia Higner Mansur em sua admiração pelo jovem de 97 anos... Sempre feliz com a vida, apesar de ela ser repleta de tantos desenganos.
Político militante, hoje observador mordaz, se identifica com o Integralismo: movimento político que participou tempos atrás.
Foi contemporâneo e companheiro de Rubem e Newton Braga. Quando adulto, no Centro Operário, suas pernas na incansável lida, subiam e desciam as escadas.
Lutou e luta pelos ideais ao qual se dedica por toda a sua trajetória e na Academia Cachoeirense de Letras vai fazendo a sua história.
Com um toque suave e sadio de comicidade, ele escreve sobre o calor infernal da cidade.
Nelson Sylvan, eternamente modelo de vida e exemplo de um homem de verdade.

terça-feira, 24 de março de 2009

Inconsciente Coletivo (Entrevista)

Há 11 anos morando em Cachoeiro de Itapemirim e há cinco anos e meio instalado na cidade como vendedor de livros usados, Alejandro contrasta com a indiferença dos que se intitulam leitores na Capital da Crônica.Ele explica o inconsciente coletivo e critica a sociedade que prende os livros e os exibe como troféus, sem sequer emprestá-los e nem passar o conhecimento para o próximo.

Durante o tempo em que trabalha com livros usados, o senhor conseguiu formar algum leitor?
Até hoje não, mas continuo tentando por meio do incentivo à leitura e emprestando os meus livros. De dez livros emprestados, nove não voltam para as minhas mãos e toda essa falta de conhecimento poderia ser considerada inconsciência coletiva.

E o que seria inconsciência coletiva?
Usando uma linguagem leiga, para o leigo entender, o inconsciente coletivo é a bagagem que contém todos os hábitos de uma sociedade que não lê. Um exemplo disso é a própria cidade de Cachoeiro de Itapemirim, que apesar de ser intitulada como a Capital Nacional da Crônica, é uma sociedade que não lê. Falo isso pela constatação diária por ver uma multidão passar pela minha banca de livros e sequer enxergá-los.

O senhor consegue vender muitos livros?
Não. O meu recorde local são quatro semanas sem vender 1 livro sequer. Mas ao meu lado trabalha um moço que vende DVD pirata, onde quase todas as pessoas param e compram.

Quais são os maiores exemplos de inconsciente coletivo?
O desrespeito às leis de trânsito, não emprestar e nem doar livros usados. Mas o ápice da inconsciência ocorre em época de eleição, em que os corruptos são eleitos e reeleitos. Afinal, o ignorante é movido pelo inconsciente coletivo e uma das leis fundamentais, assim como o instinto da sobrevivência é a lei da semelhança (os semelhantes se atraem).

Quais livros não podemos deixar de ler?
Recomendo a leitura de “Psicologia das Multidões”, de Gustav Lebon, “Jogo e Estrutura das Personalidades”, de Pedro A. Griza; “O Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley e “Vidas Secas”, de Graciliamo Ramos.

O senhor poderia deixar um recado aos amantes da leitura de Cachoeiro de Itapemirim?
Deixo um pouco de algumas frases que gosto. Monteiro Lobato escreveu: um país se constrói com homens e livros. Jesus pregou: amai-vos uns aos outros como vos amei e praticai a caridade. Gandhi falou: todo ser vivo é o nosso próximo, incluindo os seres vivos e as plantas. Tolstoi disse: faça o bem o mais que puder. Eu, Alejandro, repito que quem segura livro é inimigo da humanidade. Essas são verdades filosóficas ditas em diferentes épocas, por homens diferentes, de culturas diferentes, mas que falam a mesma língua, que é a língua do amor.

















A entrevista foi realizada em dezembro de 2007, época em que eu era repórter do Jornal O FATO. Atualmente, Alejandro não se encontra mais em nossas ruas... Foi buscar outros caminhos.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Pipa

Ela pegou um pouco de tinta aqui, acolá e voou toda colorida. Esbelta, era desejada por moleques levados, por moleques quietinhos, por moleques envergonhados. Fugia deles. Pipa solta não pretendia se amarrar.
E foi conhecer a imensidão do céu. Pegou emprestado um pouco mais do azul na Região Sul. Da liberdade, fez a sua casa; da rabiola, a asa; do colorido, o sentido. Entregue ao léu conversou com passarinhos, descansou em montanhas e moinhos. Namorou os dias, adentrou no ir e vir do vento e das horas. Dias iguais, liberdade demais. Foi se chateando com as paisagens belas, que aos poucos, perderam o sentido. Admirar sem o amor ao lado ou dentro do coração é como “suportar” quadros abstratos em Exposição. E quis saber por onde anda certo menino que a fazia voar querendo vê-la voltar? Sentiu falta do aconchego, e enquanto se aproximava de casa, a tempestade lhe causava medo. Timidamente, voltou para as mãos do menino. Ele sorriu e suspirou um Seja bem-vinda. Abriu a porta, mas a Pipa - como beija-flor trazendo boa notícia - preferiu entrar pela janela. E toda a altura e imensidão desejada fizeram parte de uma época passada. Hoje A Pipa só é realmente feliz em sua Morada...

DIÁLOGO: “ - Ali, parece uma borboleta indo buscar o pólen de uma margaridinha. Ele concordou com ela e jurava enxergar também uma segunda borboleta pousando na flor. Já não existia mais dia nublado para aqueles dois. Só existia o amor.”

*Baseado nas fotos e frases do orkut de Karina Peixoto.

Morada

No jardim da Morada tem árvore grande, planta de cheiro, borboletas ao redor. Não tem desespero porque o amor fala por si só. Há pessoas felizes fugindo das interpretações tão comuns de atores e atrizes. Clips representados pela duplicidade, mãos cuidadosas trabalhando na mesa da vida, do destino rumo à felicidade.
Morada grande ou pequena? Será que isso importa? Menina e menino não julgam por medidas, peso ou tamanho. O que vale é jardim cuidado, a água brotando, a sombra que conforta. Vale pegar a fruta que cai do pé, achar um bichinho e não disputar com ele o alimento.
Na morada, eles ficam de mãos dadas. Dividem os problemas, somam os gastos. Descabelam-se pelo mês que “perderam o passo”.
Mas o livro A História Intima da Humanidade sugere que estamos sempre na corda-bamba e insegurança. Tem problema não, seu escritor... Na morada, há sempre o equilíbrio num Fio de Esperança.

DIÁLOGO: “Seremos nós dois um tango improvisado na cozinha de uma casa alaranjada e pequena. O muro a nossa frente ainda em branco ganhará contornos coloridos, sorridentes e entre uma declaração e outra ali rabiscados, seremos apontados como a descrição do mais puro sentimento...”

*Baseado nas fotos e frases do orkut de Karina Peixoto